Rotina administrativa nos bastidores da marcenaria familiar
Os bastidores da marcenaria são muito mais intensos do que o móvel pronto faz parecer.
Entre projetos, contas, atendimentos, decisões e imprevistos, existe uma rotina inteira que quase ninguém vê. E é sobre ela que eu quero falar hoje.
Muitas vezes me perguntam:
“Mas onde você trabalha?”
“O que você faz na marcenaria?”
“E quando não tem projeto, você fica fazendo o quê?”
Sempre dou um sorriso antes de responder, porque a vontade é dizer:
tudo… e mais um pouco.

Sou eu, nos bastidores da marcenaria, aqui no meu home office, sob esse teto que tanto amo, cuidando diariamente de um negócio que um dia foi apenas um sonho.
Da minha posição na administração, posso dizer sem romantizar: a jornada é feita de paixão, sim… mas também de desafio, cansaço, aprendizado forçado, muita pressão, erro, acerto e uma dose diária de coragem.
Ser projetista de móveis autônoma vai muito além de desenhar e entregar projetos. Vai muito além do móvel pronto que você vê na sua casa. Existe uma engrenagem inteira girando por trás, invisível para quem está de fora. E é justamente isso que compõe os bastidores da marcenaria.
Eu cuido do planejamento estratégico, das redes sociais, dos estudos e cursos para melhorar nosso trabalho.
Cuido do administrativo, das contas, das notas fiscais, da compra de materiais, do dinheiro contado, do cálculo mental no mercado.
Cuido do comercial, do atendimento, das mensagens, das conversas, de explicar, de orçar, de ouvir.
E sim, também cuido do nosso pequeno RH caseiro: motivar, organizar, alinhar, puxar pra cima quando o outro está cansado.
A empresa é familiar, mas o compromisso é profissional.
Quem vê o móvel pronto não imagina quantas decisões aconteceram antes. Quantas dúvidas. Quantos ajustes. Quantas conversas. Quantos “vamos tentar de outro jeito”.
Quantas noites mal dormidas. E há essas sim, são muitas. Muitas madrugadas em claro.
Os bastidores da marcenaria são feitos de detalhes que não aparecem na foto final, mas sustentam tudo.
A cada novo cliente, não é “mais um serviço”.
É uma vitória pessoal.
É alguém que confia.
Alguém que escolheu a gente.
Alguém que colocou um pedaço da própria casa nas nossas mãos.
É muita responsabilidade.
Eu e o Marcelo unimos duas coisas que se completam:
eu cheia de ideias, com a visão do projeto, da estética, da funcionalidade…
ele com a execução, a técnica, a experiência e um cuidado que não se aprende em curso nenhum.
A gente não faz produção em massa.
A gente faz móvel com história, com significado, com afeto.
Cada peça que sai da nossa oficina um dia foi só uma ideia jogada na mesa. Um rabisco. Um “e se…?”.
Tem erro corrigido, medida refeita, detalhe repensado, roupa cheia de serragem e coração envolvido.
Empreender não é fácil.
Tem burocracia, imposto, concorrência, medo, insegurança, noites mal dormidas e aquela pergunta que às vezes aparece:
“será que vai dar certo?”
Já pensei em desistir. Mais de uma vez.
Mas a vontade de fazer dar certo sempre falou mais alto.
Os bastidores da marcenaria também são feitos de silêncio, foco, café frio esquecido na mesa, lista de tarefas e aquela sensação estranha de estar cansada e realizada ao mesmo tempo.
Gerenciar tudo isso é cansativo, é intenso, é desafiador.
Mas ver a satisfação de um cliente ao receber um móvel feito com cuidado… isso paga tudo.
Cada peça leva um pouco da nossa história, da nossa parceria e daquela coragem inicial de acreditar que o trabalho artesanal ainda tem valor.
E tem. Muito.
E no meio de planilhas, projetos, serragem e responsabilidades… existe uma camada que quase ninguém vê.
A camada do sonho.
Onde o sonho entra nessa história de bastidores da marcenaria
Às vezes eu penso que a parte mais bonita de tudo isso nem é o móvel pronto.
É o caminho.
É a escolha diária.
É continuar mesmo sem saber exatamente onde vai dar.
Mesmo quando não estamos aguentando a nossa própria pressão interna de fazer tudo perfeito.
Mesmo com medo de errar.
Mesmo sentindo a pressão de familiares querendo nos ver crescer, aumentar produção, faturamento, trocar de veículo todo ano.
Mesmo com a pressão silenciosa da sociedade dizendo que “evoluir” é sempre mostrar, comprar, provar.
Mesmo quando dá aquele medo bobo e real do que vão pensar se a gente não acompanhar a manada.
Se não comprar um carro zero.
Se não ostentar progresso.
Se não performar sucesso.
Ver que todo mundo acha que você tá errado por escolher outro ritmo.
Por não querer correr.
Por não querer provar.
Por não querer viver no automático.
Mas vale a pena.
Vale a pena seguir focada.
Vale a pena transformar o desejo em ação.
Vale a pena valorizar o processo.
Vale a pena lutar para ser quem a gente quer ser.
Vale a pena ter orgulho da própria caminhada.
Talvez não seja fácil acreditar em algo que só a gente enxerga.
Conviver com as incertezas do momento.
Sentir o chão meio instável.
Não ter garantias.
Mas é essa vontade de voar, de nos permitir sonhar, que nos faz sentir tão bem.
Talvez o caminho assuste.
Talvez o cansaço apareça.
Mas tem uma coisa que nunca mudou por aqui: a decisão de seguir.
Seguir mesmo com medo.
Seguir mesmo sem garantias.
Seguir mesmo quando ninguém vê.
A nossa história foi feita assim: passo por passo, tentativa por tentativa, com o coração na frente e o medo no banco de trás.
Feita de escolhas.
De coragem improvisada.
E de uma vontade bonita de continuar, mesmo quando tudo parecia difícil.
Porque tem sonhos que não pedem permissão.
Eles chegam de uma forma tão intensa que questionar sua “autorização” seria como questionar a necessidade de respirar.
Tem sonhos que são parte da nossa essência.
Da nossa experiência humana mais fundamental.
E os meus… eu sinto como verdadeiros. Para além de qualquer justificativa que eu possa dar.
Eles só pedem coragem.
E se um dia a gente olhar pra trás e rir de tudo isso, vai ser porque valeu.
Porque teve verdade.
Teve entrega.
Teve sonho.
Eu acho tão bonito quando a gente segue um sonho e não quer mais voltar.
E ainda bem…
ainda bem mesmo…
que a gente seguiu o nosso. 🤎
Se você quiser conhecer mais sobre a nossa trajetória e como tudo começou, conto melhor na página Sobre aqui do blog.
E se quiser continuar explorando esse universo, a categoria Casa & Design reúne outros conteúdos sobre marcenaria, funcionalidade e vida prática.
Também compartilho um pouco dessa rotina real nos stories e posts do nosso Instagram, mostrando um pouquinho do que acontece longe dos holofotes — nos bastidores da marcenaria, como ela realmente é.
Estamos aqui, nos bastidores, ouvindo uma boa música, trabalhando focados, enquanto o mundo vê só o resultado final.
Para realizar o seu sonho de ter um móvel sob medida, pensado, feito com calma.
Por uma família que ama o que faz.
E por uma mulher que, mesmo nos bastidores, nunca deixou de acreditar nesse sonho.